Mercado de Trabalho Brasil · Agosto 2026
Enfermagem em Cardiologia no Brasil
Panorama completo da carreira do enfermeiro que cuida do coração: salários na UTI coronariana e na hemodinâmica, concursos de 2026, insuficiência cardíaca, TAVI no SUS e a regulação que exige especialista. Dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia, do Cofen, do CAGED e de editais oficiais.
Quem é o enfermeiro especialista em cardiologia?
É o enfermeiro que assume o paciente mais monitorado do hospital. Ele está na UTI coronariana ao lado do infartado, no laboratório de hemodinâmica durante o cateterismo, na emergência decidindo em minutos se aquela dor no peito é infarto, e no ambulatório segurando o paciente com insuficiência cardíaca longe da reinternação.
A Classificação Brasileira de Ocupações não tem código próprio para a enfermagem cardiológica: a carreira se distribui pela família 2235, com os dados formais concentrados no CBO 2235-05 (enfermeiro) e no CBO 2235-25 (enfermeiro de terapia intensiva), a ocupação mais próxima da UTI coronariana. O que formaliza a especialidade é o registro de título no Coren, previsto na Resolução Cofen 581/2018, que reconhece a enfermagem em cardiologia entre as especialidades da profissão. Na prática, é essa titulação que abre as portas dos setores fechados.
A regulação é o motor silencioso da demanda: a RDC 7/2010 da Anvisa exige enfermeiro assistencial para cada 10 leitos de UTI por turno, o Parecer Normativo 001/2015 do Cofen reconhece a retirada de introdutor arterial pelo enfermeiro especializado em hemodinâmica, e a Resolução Cofen 528/2016 normatiza até o enfermeiro perfusionista da cirurgia cardíaca. Cada norma dessas é uma vaga que precisa de gente qualificada.
“A presença do enfermeiro no laboratório ou serviço de hemodinâmica é uma obrigatoriedade legal.”
SBHCI, Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista
UTI coronariana
Conduz a sistematização da assistência ao paciente cardiológico crítico: infarto, pós-operatório de cirurgia cardíaca, arritmias e suporte hemodinâmico.
Hemodinâmica
Prepara, monitora e recupera o paciente em cateterismo, angioplastia e TAVI, e retira o introdutor arterial conforme o Parecer 001/2015 do Cofen.
Dor torácica e código infarto
Aciona os protocolos que salvam músculo cardíaco: eletrocardiograma em até 10 minutos, classificação de risco e corrida contra o tempo porta-balão.
Insuficiência cardíaca e reabilitação
Educa o paciente, monitora adesão a medicação e sinais de descompensação, e atua na reabilitação cardiovascular que evita a próxima internação.
Panorama do Setor
Enfermagem em Cardiologia em números
Dados consolidados da Sociedade Brasileira de Cardiologia, do Cofen, do CAGED (Portal Salário, jul/2025 a jun/2026), de publicações científicas e de editais oficiais de concursos de 2025 e 2026.
Remuneração
Quanto ganha um enfermeiro em cardiologia?
Dados do Portal Salário com base em microdados do CAGED (jul/2025 a jun/2026), do Glassdoor, da Lei 14.434/2022 e de editais oficiais. Como a enfermagem cardiológica não tem CBO próprio, as faixas combinam o enfermeiro geral (CBO 2235-05), o enfermeiro de terapia intensiva (CBO 2235-25) e referências verificáveis de setor especializado e concurso.
Faixas salariais · Enfermagem e cardiologia
Fonte: Portal Salário/CAGED (piso, médias e teto CLT), Lei 14.434/2022 (piso nacional da enfermagem), edital CNU 2025 do Instituto Nacional de Cardiologia e carreira de enfermeiro assistencial da EBSERH. Na hemodinâmica privada, relatos do Glassdoor apontam de R$ 6.000 a R$ 8.000, em amostra pequena.
Referências reais de remuneração em 2026
O CAGED não abre recorte gratuito por especialidade, então a tabela traz referências verificáveis por vínculo, que na prática pesam mais que a região: a diferença entre o piso da lei, a CLT geral, o setor crítico e o edital público.
| Vínculo | Remuneração |
|---|---|
| SES-RJ 2026 (enfermeiro, 24h) | R$ 4.026,02 |
| Bolsa de residência multiprofissional (CNRMS) | R$ 4.106,09 |
| Enfermeiro CLT (média CAGED) | R$ 4.475,06 |
| Piso nacional da enfermagem (Lei 14.434/2022) | R$ 4.750,00 |
| Enfermeiro de terapia intensiva CLT (média CAGED) | R$ 4.820,76 |
| SES-TO 2026 (enfermeiro, inicial) | R$ 4.917,01 |
| Hemodinâmica privada (Glassdoor, poucos relatos) | R$ 6.000 a R$ 8.000 |
| Instituto Nacional de Cardiologia (CNU 2025) | R$ 7.159,87 |
| EBSERH, enfermeiro assistencial (edital) | R$ 8.095,56 |
O piso da enfermagem segue congelado em R$ 4.750 desde 2022, sem correção pela inflação; a PEC 19/2024, em debate no Congresso, propõe jornada de 30 horas e reajuste anual pelo INPC, e o STF retomou em maio de 2026 o julgamento definitivo sobre o financiamento do piso. A titulação de especialista é o acelerador que não depende dessa disputa.
Especialize-se em Cardiologia para Enfermeiros pela UFEM
- Pós-graduação 100% EAD com certificação reconhecida pelo MEC
- Foco no que o setor cobra: UTI coronariana, hemodinâmica, dor torácica e insuficiência cardíaca
- Conclusão em 4 a 6 meses, sem esperar semestre letivo
- Vale para registro de especialidade no Coren, prova de títulos e progressão
- Modelo de avaliação simples: duas provas online e trabalho de conclusão opcional
Tendências 2026 a 2030
Forças que impulsionam a enfermagem em cardiologia
Seis fatores estruturais, todos verificáveis em fonte pública, que sustentam a demanda por enfermeiros especializados em cardiologia nos próximos anos.
A hemodinâmica pública está crescendo com o TAVI
A Portaria GM/MS 3.414/2024 incorporou ao SUS o implante transcateter de válvula aórtica por via transfemoral, procedimento de ponta que antes ficava restrito à rede privada. Cada sala de hemodinâmica que abre ou amplia agenda precisa de enfermeiro: para a SBHCI, a presença dele no serviço é obrigatoriedade legal, e o Parecer 001/2015 do Cofen já reconhece a retirada de introdutor arterial pelo especialista.
O envelhecimento multiplica o paciente cardiológico
O Brasil tem 35,2 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, alta de 71% em 15 anos, e o IBGE projeta 65 milhões em 2050. A insuficiência cardíaca já responde por até 1 em cada 5 hospitalizações de maiores de 65 anos. A carga de doença cardiovascular cresce mais rápido que a formação de especialistas, e é o enfermeiro quem passa mais horas ao lado desse paciente.
Clínicas de insuficiência cardíaca precisam de enfermeiro
São 2,5 milhões de brasileiros com insuficiência cardíaca, mortalidade de 15% ao ano e quase metade dos pacientes reinternando em até 12 meses, a um custo acima de R$ 1 bilhão anual. O modelo que reverte esse ciclo no mundo inteiro é o ambulatório multiprofissional em que o enfermeiro conduz educação, adesão e monitoramento de sinais de descompensação. É das posições de maior autonomia clínica da profissão.
A telecardiologia saiu do piloto e virou rotina
Só a rede de telessaúde do Hospital das Clínicas da UFMG já laudou mais de 4 milhões de eletrocardiogramas a distância, com análise no mesmo dia, 24 horas por 7 dias. O tele-ECG virou porta de entrada do diagnóstico cardiológico na atenção primária, e o enfermeiro é quem opera a ponta: realiza o exame, reconhece o traçado crítico e aciona o fluxo de urgência.
Inteligência artificial e monitorização remota
O mercado global de inteligência artificial em cardiologia foi avaliado em US$ 2,03 bilhões em 2025 e é projetado em US$ 36,84 bilhões até 2035, crescimento de 34,2% ao ano, puxado por ECG interpretado por algoritmo, wearables e monitorização remota de dispositivos. Quem traduz o alerta do algoritmo em conduta à beira do leito é o profissional assistencial, e o enfermeiro que domina essas ferramentas se torna peça central do serviço.
Reabilitação cardiovascular: o vazio que é oportunidade
O Brasil tinha apenas 75 programas formais de reabilitação cardiovascular em 2023, mais da metade no Sudeste, segundo os Arquivos Brasileiros de Cardiologia, para uma população de milhões de infartados, revascularizados e portadores de insuficiência cardíaca. A telerreabilitação foi apontada pela própria literatura como o caminho de expansão. Um serviço essencial que quase não existe é exatamente onde o especialista chega primeiro.
Plano de Carreira
Os três caminhos de quem se especializa
A mesma titulação abre portas diferentes. Estes são os três movimentos mais comuns de quem conclui a pós em Cardiologia para Enfermeiros.
Competências
Atribuições do enfermeiro em cardiologia
Atividades da prática assistencial cardiológica, alinhadas à família ocupacional CBO 2235, à Lei 7.498/1986, à RDC 7/2010 e aos pareceres e resoluções do Cofen para os setores de cardiologia.
- ✓Assistência ao paciente cardiológico crítico: conduz a sistematização da assistência de enfermagem na UTI coronariana, monitorando hemodinâmica, arritmias, drogas vasoativas e a resposta do paciente ao tratamento intensivo.
- ✓Protocolos de dor torácica e código infarto: classifica risco na chegada, garante o eletrocardiograma em até 10 minutos e aciona a linha de cuidado que encurta o tempo porta-balão, o intervalo que define quanto músculo cardíaco sobrevive.
- ✓Enfermagem em hemodinâmica: prepara e monitora o paciente em cateterismo, angioplastia e TAVI, gerencia sala, materiais e radioproteção, e realiza a retirada de introdutor arterial conforme o Parecer Normativo 001/2015 do Cofen.
- ✓Pós-operatório de cirurgia cardíaca: assiste o paciente revascularizado ou valvopata operado, manejando drenos, marca-passo provisório, controle de débito e a detecção precoce de complicações nas primeiras 48 horas.
- ✓Educação do paciente e cuidado longitudinal: ensina o paciente com insuficiência cardíaca e a família a reconhecer descompensação, organiza adesão a medicação e consultas e sustenta a reabilitação cardiovascular que evita reinternações.
- ✓Gestão e educação permanente do setor: dimensiona equipe conforme a RDC 7/2010, lidera treinamentos de parada cardiorrespiratória e protocolos institucionais e responde pela qualidade assistencial da unidade cardiológica.
Perguntas Frequentes
Perguntas sobre enfermagem em cardiologia e o curso
As dúvidas mais comuns de quem pesquisa a carreira e a pós-graduação, respondidas com dado e base legal.
Quanto ganha um enfermeiro que atua em cardiologia?
Pelo CAGED (Portal Salário, jul/2025 a jun/2026), o enfermeiro (CBO 2235-05) tem média de R$ 4.475,06, com piso de R$ 3.234,09 e teto CLT de R$ 6.088,00. O enfermeiro de terapia intensiva (CBO 2235-25), carreira mais próxima da UTI coronariana, tem média de R$ 4.820,76 e teto de R$ 6.550,69. Na hemodinâmica, relatos do Glassdoor apontam de R$ 6.000 a R$ 8.000 mensais, em amostra pequena. Em edital público, o INC pagou R$ 7.159,87 no CNU 2025 e a EBSERH paga R$ 8.095,56 ao enfermeiro assistencial. O piso nacional da enfermagem é de R$ 4.750,00.
Existe CBO de enfermeiro cardiologista?
Não. A Classificação Brasileira de Ocupações não tem código próprio para a enfermagem cardiológica: a atuação se distribui pela família 2235, principalmente no CBO 2235-05 (enfermeiro) e no CBO 2235-25 (enfermeiro de terapia intensiva), que cobre a UTI coronariana. O que formaliza a especialidade é o registro do título de especialista no Coren, conforme a Resolução Cofen 581/2018, que lista a enfermagem em cardiologia entre as especialidades reconhecidas.
O que faz o enfermeiro em uma unidade de hemodinâmica?
Prepara e acolhe o paciente, confere jejum, acessos e exames, monitora traçado eletrocardiográfico e parâmetros hemodinâmicos durante cateterismo, angioplastia e TAVI, atua na recuperação pós-procedimento e gerencia materiais, radioproteção e equipe. O enfermeiro especializado pode inclusive retirar o introdutor arterial após intervenções percutâneas, procedimento reconhecido como seguro pelo Parecer Normativo 001/2015 do Cofen. Para a SBHCI, a presença do enfermeiro no serviço de hemodinâmica é obrigatoriedade legal.
Quanto tempo dura a pós em Cardiologia para Enfermeiros da UFEM?
O curso é 100% EAD e segue o modelo intensivo das pós-graduações da UFEM: conclusão em 4 a 6 meses, sem esperar semestre letivo, com avaliação em duas provas online (P1 e P2) e trabalho de conclusão opcional. A certificação é emitida por instituição credenciada pelo MEC e vale para registro de especialidade, prova de títulos e progressão funcional.
Essa pós vale para concurso público?
Vale em três frentes. Em prova de títulos, a especialização lato sensu costuma valer de 1 a 5 pontos, diferença que decide classificação em concursos como o da SES-TO 2026, que abriu 5.124 vagas na saúde. Em progressão funcional, redes públicas pagam adicional por titulação. E em lotação: setores fechados como UTI, hemodinâmica e unidade coronariana priorizam ou exigem especialista, como prevê a RDC 7/2010 para a coordenação de enfermagem em terapia intensiva.
O mercado para enfermagem em cardiologia está em alta?
Sim. As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no Brasil, com cerca de 400 mil óbitos por ano segundo a SBC, e 2,5 milhões de brasileiros convivem com insuficiência cardíaca. O CAGED registrou saldo positivo de 15.567 contratações de enfermeiros em 12 meses, o SUS incorporou o TAVI em 2024 ampliando a hemodinâmica pública, e o país tem apenas 75 programas formais de reabilitação cardiovascular, um campo quase vazio para especialistas.
Onde o enfermeiro especialista em cardiologia pode trabalhar?
UTI coronariana e unidades de terapia intensiva, laboratórios de hemodinâmica, unidades de dor torácica e emergências com protocolo de infarto, pós-operatório de cirurgia cardíaca, ambulatórios e clínicas de insuficiência cardíaca, programas de reabilitação cardiovascular, home care de paciente cardiopata e serviços de telecardiologia, que já laudam milhões de eletrocardiogramas a distância no Brasil.
Enfermeiro pode retirar introdutor arterial após cateterismo?
Pode, desde que seja enfermeiro com capacitação em hemodinâmica. O Parecer Normativo 001/2015 do Cofen reconheceu a retirada de introdutor arterial e venoso pelo enfermeiro especializado como procedimento seguro, amparado no Processo de Enfermagem e em protocolo institucional. É um exemplo do que a especialização destrava na prática: procedimentos de maior complexidade, mais responsabilidade e mais espaço na equipe.