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Quem tem mais de 30 ganha mais com a IA, mesmo usando menos | UFEM
Educação e Tecnologia · Junho de 2026

Quem tem mais de 30 anos ganha mais com a IA, mesmo usando menos

A Geração Z abre a inteligência artificial mais vezes que qualquer outra. Os millennials abrem menos e transformam mais. A diferença não está na frequência, está no repertório que dá direção a cada pedido.

Fontes: Deloitte, Monday.com, Gallup, Harvard Business Review · 2025 e 2026

Usar muito não é o mesmo que usar bem

A Geração Z é campeã de uso da inteligência artificial. Segundo pesquisa da Pearl divulgada pela Forbes, recorre à ferramenta cerca de 12 vezes por semana, contra 7 da Geração X e 4 dos boomers. O número impressiona, e logo se mostra incompleto.

Quando a pergunta deixa de ser quem usa mais e passa a ser quem extrai mais, a liderança troca de mãos. O relatório da Monday.com aponta 73% dos millennials já tendo integrado a IA à rotina profissional, contra 59% da Gen Z. A Deloitte, ouvindo mais de 23 mil pessoas em 44 países, encontrou 36% dos millennials usando IA com frequência, contra 28% da geração mais nova.

Presença digital não vira uso estratégico por osmose. A Gen Z costuma usar a IA como substituto do buscador. Os millennials a usam para decidir, criar e entregar. Abrir a ferramenta o dia inteiro é uma coisa. Saber o que pedir e o que fazer com a resposta é outra bem diferente.

O que separa as gerações não é quantas vezes abrem a IA. É quanto contexto cada uma leva para dentro da conversa.

A Gen Z lidera no volume

12x

por semana, o maior uso entre as gerações. Na pesquisa da HBR, 65% recorrem à IA como substituto do Google.

Os millennials lideram no valor

73%

já adotaram IA no trabalho. Entre os usuários frequentes, 94% enxergam ganho real de tempo para criar e pensar.

Por que os 30+ saem na frente

Da posição que a pessoa ocupa no trabalho ao jeito como ela lê uma resposta longa, seis razões que a pesquisa recente ajuda a explicar.

1

Volume não é valor

A Gen Z usa mais vezes, mas o millennial entrega mais. A Monday.com aponta 73% contra 59% de adoção profissional, e a Deloitte mostra 36% contra 28% de uso frequente. A dianteira se repete em quase toda aplicação prática.

36% × 28%usuários frequentes de IA, por geração (Deloitte)
2

Autonomia e hierarquia

Aos 30 e poucos, a pessoa costuma estar em cargo de gestão, com poder de decidir onde a IA entra no processo. O jovem em vaga de entrada usa a ferramenta, mas raramente decide como ela se integra ao negócio. A posição também ensina.

3

Repertório profissional

Quem já liderou projetos e tomou decisões sob pressão faz perguntas melhores e lê o resultado com mais senso crítico. O consultor de carreira Fábio Cassettari resume bem a ideia: a IA favorece quem já tem repertório, porque experiência produz perguntas afiadas.

4

Relação emocional mais leve

Entre os millennials que usam IA com frequência, 94% acreditam que ela libera tempo para criatividade e estratégia, contra 86% da Gen Z. Confiança muda o uso. Quem se sente no controle explora a fundo, em vez de apenas tolerar a ferramenta.

94% × 86%veem a IA liberando tempo para criar (Deloitte)
5

Leitura sustenta a conversa

Falar com uma IA é ler e escrever sem parar. Quem lê a resposta inteira e ajusta o pedido extrai mais. A própria Gen Z sente o risco: pesquisa da HBR achou 62% temendo ficar menos inteligentes e 68% preocupados com a perda de aprendizado.

6

A IA amplifica, não nivela

A tecnologia não substitui o conhecimento, ela o projeta. A IA multiplica quem já tem algo relevante a dizer. Quem está no começo da carreira ainda não construiu o repertório que dá direção à ferramenta, e por isso colhe menos dela.

O humor da Gen Z virou em um ano

A pesquisa Gallup acompanhou os sentimentos da geração mais nova diante da IA entre 2025 e 2026. O entusiasmo encolheu, a esperança caiu e a raiva subiu até virar o sentimento que mais cresce. Não é rejeição à tecnologia. É uma conta sendo cobrada.

Raiva: subiu de 22% para 31% Entusiasmo: caiu de 36% para 22% Esperança: caiu de 27% para 18%
2025 2026 22% 31% 36% 22% 18%

Os dois fatores que ninguém soma na conta

São as variáveis que raramente entram na conversa sobre idade e tecnologia, e talvez sejam as mais decisivas.

A leitura é metade da conversa

Toda interação com uma IA é texto puro. Você lê um parágrafo denso e decide a próxima instrução com base nele. Quem perdeu o fôlego para a leitura longa se perde no meio e aceita a primeira saída que aparece.

A própria geração mais nova reconhece o risco. Pesquisa da Harvard Business Review com 2.500 jovens encontrou 65% usando a IA como substituto do Google, 62% temendo ficar menos inteligentes e 68% preocupados com a perda de aprendizado. O Gallup vai na mesma linha: 80% acham que depender da IA por velocidade vai dificultar o aprendizado no futuro.

Ler a resposta inteira, achar a falha no terceiro parágrafo e devolver um ajuste exige atenção treinada. Não é talento de geração, é hábito de leitura, e hábito se constrói.

A emoção decide como você usa

Ferramenta nova mexe com quem a opera, e o estado emocional muda o resultado da conversa de um jeito que pouca gente percebe.

O Gallup mediu a virada de humor da Gen Z em um ano: o entusiasmo caiu de 36% para 22%, a raiva subiu de 22% para 31% e a esperança encolheu para 18%. O Oliver Wyman Forum achou 68% dos jovens ansiosos com a automação. Entre os millennials, o sentimento dominante é confiança.

Isso pesa na prática. A pessoa ansiosa agarra a primeira resposta para encerrar o desconforto, ou foge da ferramenta. A pessoa tranquila pergunta, lê, desconfia, ajusta e pergunta de novo. Conversa boa com IA é diálogo paciente, e paciência é uma competência emocional.

A raiva da Gen Z tem um motivo concreto

Seria fácil ler a frustração dos mais jovens como drama de geração. Os números contam outra coisa: eles encaram um mercado que encolheu justamente na porta de entrada.

-13%

nas vagas para jovens de 22 a 25 anos desde 2022, em setores expostos à IA, segundo a Universidade Stanford.

39%

das empresas eliminaram ou reduziram posições de entrada por causa da automação, aponta a British Standards Institution.

89%

dos formandos de 2026 estão preocupados com a IA ocupando funções iniciais, em levantamento citado pela Fortune.

A Gen Z não está apenas irritada com uma ferramenta. Ela se sente ameaçada por ela no começo da carreira. O entusiasmo tranquilo dos millennials nasce, em parte, de já estarem estabelecidos. A vantagem deles tem tanto de repertório quanto de posição.

Como tirar mais da IA, em qualquer idade

O padrão dos 30+ não é segredo de geração. São hábitos, e hábitos se copiam.

Mire em aplicações de alto impacto.Em vez de usar a IA só como buscador, leve a ela uma decisão real de trabalho: um plano, uma análise, uma proposta. É aí que o valor aparece.
Traga seu repertório para o pedido.Diga o contexto, o objetivo e o que você já sabe. Quanto mais você coloca, mais direcionada e útil fica a resposta.
Leia a resposta inteira antes de aceitar.O erro costuma morar no meio, entre frases bem escritas. Pular para a conclusão é onde a maioria escorrega.
Desconfie e cheque.Peça a fonte, peça o raciocínio, peça o contra-argumento. Tom seguro não é prova de conteúdo correto.
Refine em rodadas, sem pressa.A segunda pergunta quase sempre supera a primeira. A ansiedade encurta a conversa cedo demais e deixa valor na mesa.

O jogo não é de idade, é de profundidade

Vale o contraponto honesto. No Brasil, a adoção total quase empata: a Deloitte encontrou 72% dos millennials e 70% da Gen Z usando IA generativa no trabalho. E em uso bruto de frequência, a geração mais nova lidera com folga. Quem quiser defender que os jovens usam mais tem dados para isso.

O ponto aqui é mais estreito. Não é que jovem usa pouco, nem que jovem é pior. É que volume de uso, sozinho, gera pouco valor. O que transforma a resposta da IA em resultado é o repertório que dá direção, a posição que permite aplicar e a calma que permite refinar.

E aqui está a melhor notícia: nada disso é fixo por idade. A vantagem dos 30 e poucos é estrutural do momento, não um destino. À medida que a Gen Z ganha senioridade, contexto e repertório, a equação muda. Repertório se constrói, leitura se retoma, senso crítico se exercita. A idade ajuda porque dá tempo de acumular, e o acúmulo pode começar em qualquer ponto da vida.

Volume é fácil. Profundidade se aprende.

Perguntas frequentes

Se a Gen Z usa IA mais vezes, por que os millennials levam vantagem?
Porque frequência de uso e valor extraído são coisas diferentes. A Gen Z lidera no volume, chegando a usar IA cerca de 12 vezes por semana. Mas a pesquisa da Monday.com mostra 73% dos millennials já tendo adotado IA na rotina profissional, contra 59% da Gen Z, com uso mais intencional e voltado a resultado.
O que faz alguém extrair mais valor da IA?
Três fatores documentados: autonomia para integrar a IA em decisões reais, repertório profissional que produz perguntas melhores e leitura crítica do resultado, e uma relação emocional mais tranquila com a ferramenta. Quem já tomou decisões de peso transforma a resposta da IA em resultado, em vez de apenas um atalho.
Os dados brasileiros confirmam essa diferença?
Em parte. A Deloitte ouviu 817 brasileiros e encontrou adoção total quase empatada: 72% dos millennials e 70% da Gen Z usam IA generativa no trabalho. A diferença aparece na intensidade: 36% dos millennials são usuários frequentes, contra 28% da Gen Z, e o entusiasmo também é maior entre os mais velhos.
Por que a Gen Z está mais ansiosa com a IA?
Há um motivo concreto. Vagas de entrada vêm encolhendo em setores expostos à IA, com queda de cerca de 13% nas oportunidades para jovens de 22 a 25 anos desde 2022. A pesquisa Gallup registrou a raiva da Gen Z com a IA subindo de 22% para 31% em um ano. A frustração é racional, não imaturidade.
A capacidade de leitura influencia o uso de IA?
Sim. A conversa com uma IA é leitura e escrita do início ao fim. Quem lê a resposta inteira e escreve um pedido preciso colhe muito mais. E a própria Gen Z sinaliza o risco: pesquisa da Harvard Business Review apontou 62% dos jovens temendo ficar menos inteligentes e 68% preocupados com a perda de aprendizado.
Essa vantagem dos 30+ é permanente?
Não. Ela é estrutural do momento atual. À medida que a Gen Z ganha senioridade, autonomia e repertório, a equação muda. A lição que fica é que volume de uso sem profundidade gera pouco valor, e isso vale para qualquer geração e qualquer idade.

De onde vêm os dados

Deloitte, Gen Z and Millennials Survey 2025. 23.482 pessoas em 44 países, com 817 brasileiros. No Brasil, 72% dos millennials e 70% da Gen Z usam IA generativa no trabalho. 36% dos millennials são usuários frequentes, contra 28% da Gen Z.
Monday.com e Qualtrics, World of Work Report. 73% dos millennials adotaram IA na rotina profissional, contra 59% da Gen Z.
Gallup, Walton Family Foundation e GSV Ventures, 2026. Entre os jovens, o entusiasmo com a IA caiu de 36% para 22%, a raiva subiu de 22% para 31% e 80% acham que depender da IA prejudica o aprendizado futuro.
Harvard Business Review e Inc., 2026. 2.500 jovens de 18 a 28 anos. 65% usam IA como substituto do Google, 62% temem ficar menos inteligentes e 68% se preocupam com a perda de aprendizado.
Oliver Wyman Forum, 2026. 68% dos jovens ansiosos com a automação, enquanto trabalhadores mais velhos usam menos a IA, mas sentem menos ansiedade.
Universidade Stanford, 2025. Queda de cerca de 13% nas vagas para jovens de 22 a 25 anos desde 2022, em setores expostos à IA.
British Standards Institution, 2025. Mais de 850 líderes em 7 países, com 39% relatando eliminação ou redução de vagas de entrada por causa da IA.
Forbes Brasil, pesquisa Pearl e Censuswide. A Gen Z usa IA cerca de 12 vezes por semana, o maior volume entre as gerações, e 41% confiam mais na IA do que em mentores humanos.
Fortune, com Andrew McAfee (MIT). 89% dos formandos de 2026 preocupados com a automação de funções de entrada.
Career Group, coluna de Fábio Cassettari. A IA favorece quem tem repertório profissional, porque experiência produz perguntas melhores.

A IA premia quem tem o que dizer. Isso se constrói.

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Foto do topo: Zoshua Colah / Unsplash

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